AVELINO: EDINOR E GILBERTO


POEMA

 

VOZ INTERIOR

 

Edinor Avelino

 

 

No mundo a glória é vã, é falsa à glória.

Outro ambicione, delirante, espere-a,

Como se fosse uma áurea luz sidérea

Que eternizasse a vida transitória

 

Que vale um nome, andar, depois na história

Para o espírito isento da matéria?

Um nome há de perder-se graça etérea

De olvido pela noite merencória

 

Glória, licor que, a alguém que o experimente,

Enche de orgulho, de vaidade e engano,

Embebedando, deliciosamente

 

Glória, há de ser um esplendor pretérito,

Sol que se apaga no destino humano

Compensação efêmera do mérito.

 

 



Escrito por Acácia Maia às 17h54
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POESIA

CANTO PARA O CHAMA-MARÉ

Gilberto Avelino

Além das Salinas

 

Desengonçado

ele é

o chama-maré

 

À borda

do seu

fojo

na lama

aberto

expões

as patas

mais largas

que o corpo;

 

e as movimenta

em branda

cadência

dando

o exemplo

da paciência.

 

O que ele quer?

- A cheia maré.

******************************

CANTO PARA OS BÊBADOS

Gilberto Avelino

Além das Salinas

  

Não perturbeis

os vossos bêbados.

São irmãos nossos

todos os bêbados.

 

Deixai-os passar.

 

Rosa-dos-ventos

que pervaga

alarga os rumos:

 

o bar

a esquina

a rua

a longa avenida

à beira mar.

 

Continuam

girando

sob

a fina agulha

de marear.

 

Ora permanecem

exaltados

ao sol;

ora alegres

cantam

entre as neblinas

da tarde.

 

Circunavegam

ainda

em fundas cismas.

 

 Ah o seu caminhar.

 

Quantas luas

quantos verdes

 

quantas âncoras

vão levando.

 

Ficam flutuando

no ar.

 

A noite

ao coroar-se

de sombras

deles cuidará.

 

Não perturbeis

vossos bêbados.

 

Deixai-os

passar.

Deixai-os

passar.

 

 



Escrito por Acácia Maia às 17h20
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